Para quem tem tempo!

Se pudesse


Oh se pudesse! Se pudesse mudar o que fiz! Se pudesse dizer que “sim” em vez de “não”. Fiquei sem reação naquele instante, e por conta disso ardeu! Nunca mais verei uma mulher como aquela. Entendiamo-nos tão bem. Eramos sinceramente “um só”. Não estou a mentir. Chegava ao ponto de dizer frases gigantes em unissono. Tinhamos opiniões muito semelhantes em quase tudo, mas sabiamos debater, e gostavamos de debater, e debatiamos. Falavos de música, de ciência, de tecnologia, de turismo e de sexo. E praticávamos. E ensaiavamos. E degladiávamos. E brincavamos. Eramos quase que duas crianças na cama para acabarmos dois adultos à mesa. Não havia uma refeição que não falassemos de um tema mais perturbador e que nos fizesse ir contra o tabú. Não havia um dia que não acabassemos a dizer “eu ainda acabo casado contigo” ao que o outro respondia com ar de nojo “nunca”, riamo-nos sempre. Eramos tão parecidos. Não havia nada que os outros casais nos igualassem ou nos superassem. Talvez só na demonstração. Ninguém, excepto amigos em comum e família dos dois lados, sabia da nossa relação. Os que sabiam perguntavam sempre se ainda andávamos. E os que o sabiam ainda assim achavam estranho. Como era possível que um casal estivesse sempre na “amena-cavaqueira”? Não nos calávamos. Não começávamos conversa com um “tudo bem”, era sempre uma questão que nos fizesse pensar. Ela fazia-me pensar. Eu realmente perdi tanto.
Bastou abrir mão do que tinha para perceber que não tinha. Eu amava-a. Ela amava a ideia de mim. Que eu era sempre assim. Foi viver comigo e adorava o facto de eu ser um idiota desmazelado. Um fantoche. Uma piada. Porque eu só levava a sério uma coisa: o amor dela por mim. O resto era supérfulo. Não queria nem desejava querer saber da vida de qualquer outra pessoa.

“Então qual é o problema?” Perguntam vocês. Bem. Simples. Ela nunca existiu.

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