Para quem tem tempo!

Praxes- dramatização ou verdade?

Sim, meus senhores e minhas senhoras. Hoje falar-vos-ei de praxes. As boas. As tradições. As verdadeiras praxes. Aquelas que têm como objetivo a integração. Aquelas que unem alunos deslocados das suas zonas de conforto através de experiências sociais.
Então comecemos pela análise da palavra. "Praxe, a palavra, vem do latim "praxis" que significa uma atividade prática. O significado não mudou muito com o tempo, sendo que o significado da palavra "praxe" é rotina, aquilo que é praticado habitualmente. Em outras palavras: uma tradição.
Porquê tradição, perguntam vocês?
Bem, fiquem sabendo que as praxes já vem de trás. Não foi algo inventado uns anos antes do incidente do Meco ou de outro qualquer infortúnio proveniente da mesma "justificação".
As praxes, caros leitores, já existem desde o século XIII:
  • "No final do século XIII é instalada a Universidade em Portugal. Nesta altura, D. Dinis reserva a parte alta da cidade de Coimbra para os estudantes e impõe horas de estudo e de recolha, sublinhando o carácter elitista e fechado da Universidade de então, que era absolutamente controlada pelo clero. Surge, então, a Polícia Académica (P. A.), cujo objectivo era o de “manter a disciplina escolar e punir disciplinarmente os actos de insubordinação”. Criou-se, inclusivamente, uma prisão académica para encarcerar todos quantos não cumprissem as ordens do monarca. É neste ambiente e neste contexto que se aplica o aparecimento das “tradições académicas”."
  • -Texto retirado de: https://corsarios.wordpress.com/anti-praxe/historia-da-praxe/
Não é a melhor origem, concordo. E não é a melhor imagem para quem está a pensar se vai aderir ou não às praxes. Mas continuemos.
"Em 1727, devido à morte de um aluno, D. João V proíbe as investidas feitas pelos veteranos (qualquer aluno com mais de uma matrícula na Universidade): "Hey por bem e mando que todo e qualquer estudante que por obra ou palavra ofender a outro com o pretexto de novato, ainda que seja levemente, lhe sejam riscados os cursos."

No século XIX, o termo "investida" dá lugar aos termos "caçoada" e "troça". Os episódios de violência sucedem-se, com os novos alunos a serem rapados ou obrigados a cantar e a dançar e chega mesmo a haver confrontos físicos com os mais velhos.

Com o fim da polícia universitária em 1834, os estudantes decidem criar uma adaptação desta força policial académica e recuperar os rituais de iniciação. Assim, após o toque vespertino da "cabra" - um dos sinos da torre da Universidade - patrulham as ruas da cidade, em busca de infractores, organizados em "trupe". No final do século XIX, surgem novamente relatos de violência entre estudantes, relacionados com os rituais de iniciação, onde os novos alunos eram obrigados a cantar e dançar, e em que era também frequente cortar-lhes o cabelo. Num destes episódios, um dos praxistas é morto por um caloiro.

A praxe foi entretanto interrompida durante alguns períodos. Durante a Imposição da República a praxe é abolida devido à oposição dos estudantes republicanos, sendo reposta em 1919."                                                                  -Texto retirado de: http://caloiro.forumeiros.com/t87-curiosidade-praxes-origem
A coisa não melhorou até lá para meados de 1919, já percebemos. A partir desse momento houve uma reestruturação. No entanto, continuou, e continua (e é para durar) a hierarquia, os superiores, os veteranos face aos caloiros. 
Mas, contudo, porém, no entanto ainda haviam praxes ditas "imorais".Os superiores abusavam de seus poderes e metiam os desgraçados dos caloiros a fazer ritos meio esquisitos como rapar o cabelo, comer pasto e fingir que eram animais... essas coisas giras de dizer aos pais no final de um dia de "estudo".
Lá nos anos 90 é que a coisa melhorou e veio a melhorar até chegarmos aos nossos dias. Onde, graças a uns iluminados (e não estou a ser irónico), aliamos as praxes- as tradições académicas- a projetos sociais para "esconder" o que realmente queríamos fazer. 
Passo a explicar: tudo bem, ajudamos o pessoal com a recolha do lixo num espaço publico, mas depois disso podemos praxar os nossos caloiros lá. Podemos fazer coisas "horríveis" como um quiz onde quem perder vai ter de encher 20. Ou podemos fazer uma corrida onde o primeiro a chegar terá de dizer quem é a figura ilustre que está representada na estátua. Coisas dessas que são tapadas pelos mídia que procuram conflito. Geralmente dão-se mal porque acabam por colidir com "praxes" que não têm a ver com as praxes. Não têm a ver com a tradição. 
Vejo este conflito há anos e não nego que eu próprio ponderei considerar-me "anti-praxe". Mas com receio que fosse colocado um sinal na minha testa a dizer "ele é anti-praxe, como quem diz, não nos vamos dar com ele", acabei por ir. Arrependido? Nunca. 
Mas também vos digo que, como eu conheço muitos, só que eles seguiram em frente e nem passaram pela praxe. Pelo menos em Setúbal não há nada contra isso, simplesmente não és praxado mas até podes ir lá ver e até podes gostar. 
Agora, e aí sim, esta é a derradeira ferroada: nem toda a gente faz as praxes com gosto. Há gente que prefere estar sentada sem fazer nada do que estar a ser praxado. Mas ainda assim, quer vestir de preto. Desejam ferozmente aquela capa, e sabem que o que pagam por ela não chega, têm de suar para a ter. Têm de a merecer. E fingem até ser momento de praxar. Aí, porque foram "obrigados", acabam por obrigar os outros. São esses pequenos "cancros de praxe" que nos estragam a diversão, seja a nós caloiros, seja a nós veteranos. A minha dica para os caloiros: querem ir, força. Porque no meio de "cancros" ainda há gente que gosta daquilo e vê na tradição algo digno. Agora, aqueles que não querem ir, façam um favor a vocês e a nós. Não apareçam. Amigos na mesma, simplesmente não nos dão dores de cabeça.

Espero ter ajudado, qualquer dúvida que tenham ou qualquer coisa que queiram dizer, digam nos comentários. 
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