Para quem tem tempo!

Onde está a barreira entre a publicidade e o jornalismo?



Caríssimos e caríssimas, pretendo falar a todos vós quando falo de publicidade. Todos o fizemos, todos o fazemos. Mas na hora e no local correto. Da mesma maneira que acho desagradável numa missa propagarem a imagem da dona Aurora que faz os melhores bolos e só porque pediu ao senhor padre para falar merece um espaço para publicidade, também acho de muita má fé isto. O jornalismo sempre se presou por entregar, de uma forma justa e imparcial, os factos, as razões, as noticias. Respondia a questões e intrigava cidadão ditos letrados. Com a televisão saltou-se essa barreira, e ainda bem. Mas formou-se algo pior. A publicidade, ainda que fechada no seu espaço de um qualquer jornal, não saia dali nem por nada. As zonas publicitárias eram para isso mesmo, para promover comércio.


Hoje em dia é justamente o contrário, fazem das noticias um espaço de propaganda! Como? Pergunta o mais desatento. Pois nem eu sei. A imparcialidade dos órgãos de comunicação social há muito é discutida e agora, mais que nunca, deve ser feita uma avaliação. A coisa está preta. Tenha como exemplo a imagem. Como é que isto foi parar a este estado. Temos um artigo totalmente financiado por uma Câmara para promoção da mesma, sem sabermos se realmente as informações prestadas são assim ou se foram alvo de algo que eu lhe chamo "lavagem jornalística".
Falemos cruamente, os jornalistas sempre foram um alvo fácil. Era fácil identificar-nos com o indignado cidadão que não queria prestar declarações. Era fácil dizer que os jornalistas pintavam o mundo de uma maneira negra. Mas a verdade acabava por vir sempre ao de cima, o que deu um lugar de destaque e uma imagem de dignidade e imparcialidade no que de melhor se fazia de jornalismo no país. Tínhamos jornais a fazer reportagens a sítios nunca antes visitados, tínhamos jornalismo de investigação, tínhamos jornalismo politico que, para muitos, foi a melhor maneira de entender o que se fazia nesse ramo. O jornalismo tornava a vida de quem queria saber mais fácil.
Eu conjuguei os verbos no passado de propósito. Hoje em dia o jornalismo sofre com o estigma de jornalismo de 1ª e jornalismo de 2ª, até de 3ª mas esse sempre existiu. O que eu chamo jornalismo de 2ª é o que vemos a CMTV por exemplo sempre a fazer. Reportagens desinteressantes e desnaturadas que provocam a desconfiança de alguns quando o assunto é sério. Mas da mesma maneira que eles são muito maus, também conseguem ser muito bons e geralmente são os primeiros a cobrir os principais temas nacionais, deixando um nó na cabeça de quem está em casa a ver.


Então, para uma cabeça mais stressada é mais fácil presumir que o jornalismo é todo um valente desperdício de tempo. Não, meus senhores. A vós vos digo, não são as bases do jornalismo que estão mal. São as bases das cadeias de jornalismo que estão mal. Enquanto quiserem pregar partidas e contar o conto do Vigário ao comum do português pois julgam que somos todos tapados, pois estão mal. Enquanto quiserem, demonstrar que temos jornalismo medíocre, estão mal. Enquanto não provarem que as barreiras entre o jornalismo e a publicidade estão bem definidas, não volto a ligar a televisão nem a comprar nenhum jornal. E comigo está grande parte da vossa audiência.



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