Para quem tem tempo!

Ei-lo, o energúmeno charlatão:


Adoro ter opiniões formadas. Nem discuto se são opiniões más ou boas, são opiniões. Nem repudio quem me contraria, são opiniões. Falo pelo real prazer de falar e mostro um ponto de vista dos que, por muitas vezes bem-intencionados, observam de fora. Sou, portanto, um assíduo treinador de bancada.

Mas a questão que me prega a cabeça como que um prego numa tábua de madeira é a de que as minhas opiniões serem muitas vezes tidas como real motivo de chacota por, e paço a citar pelos martelos pneumáticos da minha vida, "não conseguir ver o plano todo".

Por exemplo, discuti, faz tempo, com uma amiga minha, enfermeira, o porquê de eu ser a favor da eutanásia e até lhe dei um trunfo como sinal de boa educação e disse que entendia o porquê dos que diziam que não. Argumentos científicos à parte, esta questão moral levanta graves precedentes criminais que me levam a não querer discutir mais com tamanha gente que acha queeu tenho de estar ligado às máquinas para que me faça sentido votar contra a eutanásia. Ou pior, que tenha de mudar de profissão para puder exercer o meu direito a ser charlatão.

Veja-se, não argumentou mal, a minha amiga. E durante longos períodos de tempo, achei francamente que estava a ser levado para os apoiantes do "queres, faz tu". Mas durante a discussão, pude observar continuamente algo que achei extinto há muito tempo: "Ei-lo, o energúmeno charlatão."

A verdade é que não se pode falar daquilo que não se sabe, não nesta sociedade. Duvido que Hawking ou Newton descobrissem o que quer que fosse se não falassem daquilo que não sabem. Entendo que tenhamos de pesquisar um pouco para falarmos de determinados assuntos, e a opinião pública é exímia em provar que nunca fazemos os trabalhos de casa e preferimos ter a opinião de outro do que ter a nossa que nos dá um trabalho extra. Entendo também que há coisas que não gostamos de ouvir, sendo especialistas da área em questão, e muitas das barbaridades que dizemos provêm de quem não as estuda como nós as estudamos, tratando-as por "tu" em casos mais extremos.
Ignorando esses factores de risco, podemos sempre ter dois comportamentos mais caracteristicos, ou somos os expert e provamos ali, com um testamento e umas citações de livros antigos o quão errados estão os nossos amigos num assunto que, no final do dia, para eles é irrelevante. Ou somos superiores que simplesmente dizem "é discutivel" e seguimos com o nosso expresso duplo e sandes de queijo e fiambre. Entenda-se, não vamos fazer a diferença com tamanhos charlatões.

Eu sou um assumido charlatão, falo tantas vezes quanto possível de coisas que não sei, muitas das vezes para passar a saber. Gosto de pensar que tenho opinião sobre tudo, errada ou não, mas uma opinião. Algo a ser posto em causa, mostra que não sou assim tão ignorante para o mundo exterior. Li algo para ter essa opinião? Se calhar li.

Não me lembro de ter acordado de manhã e ter pensado "hoje sou a favor da eutanásia ou do suicidio assistido" (que são coisas muito diferentes).
Há poucas areas de interesse a que eu me deixo com o direito quase que totalitário de uma conversa. Onde posso ser o Hitler daquela conversa sem quês nem porquês. Onde consigo ser rei e senhor. Sou? Não. Prefiro ensinar que humilhar. 

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