É a vida...
Voltei a este projeto. Talvez tarde, mas voltei. Voltei a ser eu neste projeto. Voltei a escrever para, numa tentativa de me deixar mais em contacto comigo mesmo, voltar a exercitar o córtex.
E isso demanda de vós um pensamento crítico acima da média, sei disso. Um ano sem escrever aqui e é bom que eu tenha uma boa razão para o fazer...
A razão é simples: é a vida.
E é sobre isso que me debruçarei hoje.
"É a vida..."- sempre achei essa resposta nihilista um pouco abaixo do esperado. Uma resposta sem esforço. Dói a quem a ouve e é de um ambiente de sofreguidão de quem a cospe.
A vida são emaranhados de fios condutores de pensamentos e ações, é isso o que a nossa consciência dita e é isso que é, de facto, a vida. A vida não é uma interjeição seguida de reticências... A vida é uma interjeição! É uma força maior na motriz de algo tão ínfimo como a existência. Uma formiga tem vida, uma mitocôndria tem vida útil.
Sim! Porque agora introduzi ainda mais um conceito a essa interjeição nefasta. Existem vários tipos de vida, raramente os maus são prezados mas lá acontece. E existe a vida útil, a parte da vida de um ser ou objeto que nada tem a ver com a sua consciência - visto que podem não a ter. Um ser com vida útil é o que eu não sou quando estou no sofá a chorar porque perdi uma relação ou quando estou à espera da minha vez nas finanças a fazer scroll no TikTok. Mas estou a existir. Só não estou a fazer algo de "útil". Até uma garrafa tem uma vida útil, mas é mais fácil falar do conteúdo para explicar que o leite tem uma vida útil diminuta comparada a mim (por pouco). No entanto o leite ainda possui vida útil.
Neste ano de ausência a minha vida útil passou com projetos musicais ou não de minha autoria e de franco desgaste físico e mental. Mas cá estou! A aproveitar a minha vida inútil a tornar isto útil para alguém.
Espero que gostem do meu retorno!
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